sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Nas ondas do rádio

O No Fio da Navalha entrou como parceiro no projeto Povinho de Ketu, uma série de seis programas de rádio para os públicos infantil e juvenil que tem como propósito compartilhar conhecimentos voltados para as africanidades e os saberes tradicionais que circulam nos espaços socioculturais das comunidades tradicionais de terreiro da nação Ketu.
Na mitologia iorubana, Ketu foi um reino africano chefiado por muito tempo
pelo rei Oxossi, um grande caçador. Desta forma, “Povinho” faz menção ao público alvo desse projeto – infanto-juvenil - e Ketu diz respeito à nação para a qual os programas estão voltados – Ketu.

A série é composta por programação musical e o No Fio participa no quadro das brincadeiras, já que a capoeira é uma das brincadeiras mais antigas do Brasil.
O projeto será lançado às 19hs do dia 18 de novembro, quinta-feira, no Teatro Clara Nunes na Rua Graciosa, 300 - Centro - Diadema. Compareça para curtir ao vivo o que estará nas ondas do rádio.


Os programas serão veiculados nas rádios públicas associadas à ARPUB. Veja lista no site www.arpub.org.br
Mais informações sobre o projeto povinhodeketu.blogspot.com

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sessão Pipoca de Agosto


"Existem muitas partes da mandinga, existem a mandinga da magia negra e a mandinga da malícia do capoeirista, quando ele se diz realmente capoeirista . Mandinga é isso, é sagacidade, é você poder bater no adversário e não bater , você mostra que não bateu porque não quis."

Palavras de Mestre Curió e/ou guardião das tradições, mais de 50 anos de capoeira o mestre angoleiro discípulo de Pastinha ensina e defende a mandinga, a vadiagem como instrumentos da verdadeira brincadeira de angola no documentário da sessão pipoca de agosto.
Se achegue com o No Fio da Navalha para assistir e aprender com o filme desse grande Mestre, vadiar e sambar no último sábado do mês, dia 28.
Assista ao trailer no You Tube - http://www.youtube.com/watch?v=RdJNirsrGuo

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sessão Pipoca antes da RODA

Todo último sábado de roda do mês é dia de SESSÃO PIPOCA antes da roda, e o filme do mês julho é "O Pagador de Promessas", dirigido por Anselmo Duarte. O filme de 1962 aborda questões religiosas na Bahia da época - o conflito entre catolicismo e o candomblé, e questões sociais, como a reforma agrária. No elenco do filme, entre outros artistas, estão Mestre Canjiquinha e seus alunos.

Veja sinopse:


Zé do Burro (leonardo Vilar) é um humilde camponês que promete carregar uma cruz até a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador, após a santa ter curado seu melhor amigo: um burro (literalmente). Para conseguir atingir seu objetivo, Zé terá de enfrentar a prepotência do clero e da polícia. O filme procura analisar os conflitos entre religiosidade popular e religião, sobretudo os valores não aceitos pela religião oficial do Brasil, a católica. Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1963 e vencedor da Palma de Ouro na categoria de Melhor Direção no Festival de Cannes.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

1% da Riqueza do Recôncavo Baiano

Quando se tem sede, deve-se buscar o que beber, e não há nada mais revigorante que beber diretamente na fonte. Foi com esse pensamento que um dos alunos de contra-mestre Cenorinha viajou até a Bahia para sentir o axé do povo, dos lugares e dos mestres e mestras da cultura popular afro-brasileira.

Com certeza, o recôncavo baiano é um dos berços da cultura do Brasil, região simples de pessoas simples mas de uma riqueza que não se pode computar. O nome recôncavo baiano se dá pela geografia da região, pelo formato recôncavo do continente que margeia a Baía de Todos os Santos. Atualmente 32 cidades formam o recôncavo baiano. Na época do Brasil colônia, a região era forte em plantações de cana e tabaco.

Foi no recôncavo que nasceu o samba - por volta de 1860 segundo os historiadores, influenciado pelo ritmo africano "semba". Assim como a Capoeira, o samba nasceu dos escravos africanos em terras brasileiras, portanto, configura-se numa manifestação cultural afro-brasileira. O samba de roda é uma junção de música, dança, poesia e festa, e existem pelo menos dois tipos, o samba corrido e o samba chula. No samba corrido todos sambam enquanto dois solistas e o coral se alternam no canto. Já no samba chula, somente uma pessoa corrê a roda sambando após o canto da chula, ao som dos instrumentos e das palmas.


O samba de roda está intimamente ligado ao culto aos orixás e cabloclos, assim com também com a Capoeira. Não há como separar estas três artes/culturas, pois são uma manifestção só, herança de matriz africana em terras brasileiras.

Numa breve viagem pelas cidades de Santo Amaro da Purificação, Acupe (distrito de Santo Amaro), Cachoeira, São Félix e Muritiba. Pode-se notar que o samba ainda hoje é muito forte. Na cidade de Santo Amaro da Purificação até existe uma casa criada para sambadores e sambadoras da região: a Casa do Samba, onde frequentemente são realizadas festas com grupos da região e também de outros Estados. Caminhando pela região não é raro se deparar com um mestre ou mestra da arte.
Na cidade de Cachoeira, também existe uma casa de samba, a Casa de Samba de Roda de Dona Dalva, onde semanalmente têm ensaio aberto do Grupo de Samba de Roda Suerdieck, que recentemente completou

50 anos de samba, segundo Dona Dalva, o nome Suerdieck é por causa que antigamente o samba era realizado na fábrica de charutos onde trabalhava e que levava este nome. Pela região do recôncavo ainda devam existir centenas de grupos de samba, - e é por isso que o título deste artigo é 1% da Riqueza do Recôncavo, - pois ainda há muito para se conhecer.

Terreiros de Candomblé e Umbanda existem aos milhares na região, somente na cidade de Cachoeira, disseram haver por volta de 257 terreiros, segundo dito pelos moradores da cidade.
A região também sempre foi berço de grandes Capoeiristas como: Cobrinha Verde, Traíra, Najé, Síri de Mangue, Neco Canário Pardo, Noca de Jacó, Gato, Atenildo, Santugri, entre outros. Besouro de Mangangá, lenda da capeoira que até pouco tempo não se sabia se ele tivesse realmente existido também é da região, da cidade de Santo Amaro da Purificação, onde aprendeu capoeira com Tio Alípio.
Trazendo aos dias "mais atuais", o recôncavo é terra de Mestre Ananias (natural de São Félix) e também de Mestre Bigodinho (natural de Acupe), entre outros.
A Capoeira continua viva na região, e isso pode ser comprovado na academia de Mestré Adó, aluno de Mestre Gato Preto, em Santo Amaro da Purificação, onde desenvolve um bonito trabalho social com a Capoeira. Além de Mestre Adó, devem existir na região dezenas de Mestres com ou sem trabalhos, que numa curta viagem não se pode conhecer.

A riqueza do recôncavo se estende a outras manifestações da cultura popular, em Acupe por exemplo existe o Nêgo Fugido, que é uma festa muito singular que envolve toda a comunidade, desde crianças a adultos. É uma espécie de teatro que caminha por todas as ruas da vila de Acupe encenando a história de um escravo que tentou fugir e foi recuperado pelo capitão do mato, o "teatro espontâneo" percorre a cidade sendo encenado inúmeras vezes, além do personagem do capitão do mato e do escravo/nêgo fugido, ainda são representadas as figuras do rei e da polícia. Além dos "atores", músicos também acompanham toda encenação. O Nêgo Fugido é uma linda maneira de se manter viva a memória do povo da região.
Paralelamente ao Nêgo Fugido, também acontece

uma outra manifestação popular, as Caretas, que também contam com a participação de crianças e adultos. As Caretas percorrem toda a cidade com galhos de árvores nas mãos e saem correndo atrás de quem estiver na rua para "bater". Atualmente em Acupe, existem duas Caretas, a tradicional de papel marchê ou palha, e a de borrcaha, esta última por sinal parece seduzir mais as crianças pois existem até caretas fantasiadas de personagens atuais como do Homem Aranha, entre outros. Segundo consta, as Caretas surgiram em meados do século XIX, quando num antigo engenho de Acupe, no dia 2 de julho de 1850, negros escravizados apareceram mascarados numa festa promovida pelo Senhor de Engenho, faze

ndo estripulias e brincadeiras com os presentes. Existe uma segunda versão para o surgimento das Caretas, que diz que tendo um escravo fugido graças as disfarce, a comunidade passou a imitá-lo nos anos seguintes.
Enfim, em poucos dias pode se ver o quanto rica é a região do recôncavo, e o porque o termo brasileirismo em alguns dicionários remetem-se a cultura da região.
Axé Bahia!

sábado, 3 de julho de 2010

Vadiação em SARAU

Depois de quase seis meses, novamente o NO FIO DA NAVALHA volta a se apresentar em um sarau. Dessa vez foi no "Encontro das Artes", promovido pelo Grupo Sócio-Ambiental de Cultura e Arte "Luz da Lua Eco-Arte", que além de organizar saraus, também desenvolve diversas atividades em seu espaço na Parada Inglesa-SP (acessem o site http://www.luzdaluaecoarte.com/ e confiram a programação).
Para nós do NO FIO DA NAVALHA é sempre um prazer participarmos de iniciativas assim, pois além de fazermos o que mais gostamos - que é simplesmente vadiar, também apresentamos nosso trabalho a desconhecidos, estabelecemos novas amizades, nos doamos e sempre voltamos com um pouquinho a mais em nossa bagagem.

Além de Capoeira Angola e Samba de Roda, o sarau também contou com diversas apresentações, entre leituras de poesias, correio elegante, bandas. Um domingo positivo, gostoso, tranquilo e divertido.

Nossa próxima roda será dia 10 de julho, apareçam para vadiar, sambar, compartilhar alegria e doses de vinho. Em breve colocaremos mais informações sobre as apresentações de Tambor de Criola e do filme "O Pagador de Promessas". É isso, a vida não pode parar!